NCM BrasilNCM, CEST e alíquota de ICMS
Ilustração de uma linha do tempo da transição tributária de 2026 a 2033

Reforma tributária em 2026: o checklist do que a sua empresa precisa fazer este ano

23/08/2026 · Equipe NCM Brasil · reforma tributária · IBS · CBS

2026 é o ano em que a reforma tributária deixa de ser assunto de seminário e entra no sistema da empresa. A fase de teste do IBS e da CBS começou com alíquotas simbólicas — 0,1% e 0,9% —, justamente para que empresas e fiscos calibrem sistemas antes que o dinheiro comece a mudar de mãos de verdade. Quem tratar este ano como "ainda não é comigo" vai chegar em 2027 fazendo às pressas o que podia ter feito com calma.

O que exatamente muda em 2026

Pela Emenda Constitucional 132/2023 e pela Lei Complementar 214/2025, este ano os documentos fiscais passam a destacar dois novos tributos:

Os valores são compensáveis com PIS/Cofins devidos no período, e há dispensa do recolhimento efetivo para quem cumprir as obrigações acessórias. Na prática, o custo tributário do ano não muda; o que muda é a obrigação de calcular, destacar e declarar corretamente.

É uma janela barata para descobrir erro. Um cadastro de produtos com NCM errado, por exemplo, aparece agora com impacto de 1% — e não em 2027, com impacto de mais de 25%.

Diagrama do cronograma da reforma tributária entre 2026 e 2033
A transição, ano a ano

O cronograma completo, em uma tela

São sete anos de convivência entre dois sistemas — o período mais complexo, e não o mais simples. Ver o guia completo.

Checklist 1: o cadastro de produtos

É a base de tudo, porque a LC 214/2025 escreve os regimes diferenciados por código NCM. Sem cadastro confiável, não há simulação possível.

  1. Extraia a lista de NCMs distintos usados nos últimos 12 meses, com faturamento associado.
  2. Cruze com a tabela vigente — códigos extintos são urgência.
  3. Releia a descrição oficial dos 20 códigos que respondem pela maior parte do faturamento.
  4. Marque quais entram em cesta básica (alíquota zero), redução de 60% ou Imposto Seletivo.
  5. Registre a justificativa da classificação junto do código.

Nossa API JSON gratuita permite fazer o cruzamento direto do ERP.

Checklist 2: o ERP e os campos novos

Converse com o fornecedor do sistema sobre:

Peça um cronograma por escrito. Fornecedor que não tem plano para 2027 é um risco a tratar agora.

Checklist 3: simulação de preço e margem

A alíquota de referência combinada estimada gira em torno de 26,5%. Isso muda o preço de quase tudo — para mais em serviços, para menos em boa parte da indústria, dependendo do crédito.

Simule três cenários por linha de produto: 2026 (regime atual), 2027 (CBS integral, PIS/Cofins extintos, IPI zerado) e 2033 (regime pleno, sem benefício estadual). O que importa não é acertar o número, e sim descobrir onde a margem some.

Dois pontos costumam aparecer nessa conta: empresas que compram muito de optantes do Simples perdem crédito, e empresas que hoje vivem de benefício fiscal estadual precisam de plano B — os incentivos de ICMS se encerram junto com o imposto.

Checklist 4: contratos de longo prazo

Contratos que atravessam 2027 e 2033 precisam de cláusula de revisão por alteração tributária. Sem ela, a mudança de carga vira disputa contratual. Vale revisar:

Checklist 5: crédito acumulado de ICMS

Empresas exportadoras e as que operam com benefício costumam acumular crédito de ICMS. Esse saldo tem regra própria de aproveitamento na transição, com prazo longo de compensação. Levante o valor, confirme a homologação junto ao estado e inclua isso no fluxo de caixa projetado — é dinheiro que existe, mas com liquidez limitada.

Checklist 6: quem vende para o governo

Compras públicas têm regime específico e o modelo de precificação muda com o split payment, em que o imposto pode ser separado na própria liquidação financeira. Quem tem receita relevante com o setor público deve acompanhar a regulamentação de perto: a mudança afeta capital de giro, não só carga.

Checklist 7: Simples Nacional

O optante poderá escolher entre recolher IBS e CBS dentro do regime único ou apurá-los pelo regime normal. A segunda opção permite transferir crédito integral ao cliente — decisivo para quem vende B2B. É uma conta a fazer com números reais: margem, perfil de clientes e alíquota efetiva atual. Ver como o Simples convive hoje com ST e DIFAL.

Checklist 8: o time precisa de vocabulário novo

Boa parte da confusão nas empresas hoje é semântica. Vale alinhar cinco termos com quem lida com preço, compras e faturamento:

Quem vende precisa saber explicar ao cliente por que o preço mudou; quem compra precisa saber cobrar crédito do fornecedor. Sem vocabulário comum, cada conversa recomeça do zero.

Checklist 9: mapear os benefícios fiscais que a empresa usa hoje

Crédito presumido, redução de base, diferimento, regime especial de tributação — muita empresa opera com uma margem que só existe por causa de um benefício estadual. Todos eles se encerram com o ICMS, e alguns antes disso.

Levante três coisas para cada benefício: a norma que o concedeu, o prazo de vigência e quanto ele representa em reais por ano. Com esse número na mão, dá para decidir se a operação continua fazendo sentido no mesmo lugar depois de 2033 — decisões de localização de centro de distribuição, por exemplo, levam anos para maturar e precisam ser tomadas bem antes.

Há ainda o Fundo de Compensação de Benefícios Fiscais, previsto para amortecer a transição de quem tem benefício oneroso com prazo certo. Vale acompanhar a regulamentação com o contador, porque a habilitação tem requisitos formais e prazo.

Checklist 10: obrigações acessórias na convivência

Entre 2029 e 2032 a empresa vai apurar, ao mesmo tempo, ICMS/ISS em redução e IBS em elevação. Isso significa duas apurações, dois conjuntos de regras de crédito e relatórios que precisam conversar.

Duas providências ajudam desde já: manter o plano de contas preparado para segregar os tributos novos e antigos, e exigir do ERP relatórios que mostrem a carga total por produto, somando os dois sistemas. Sem isso, a empresa passa quatro anos sem saber a margem real por item.

O que continua igual (e é bom lembrar)

Até 2032, tudo o que existe hoje continua valendo: ICMS com alíquotas estaduais, substituição tributária, DIFAL, FCP, obrigações acessórias estaduais. Errar isso em 2026 custa igual ao que custava em 2025.

E a classificação fiscal não acaba: é ela que define quem entra em cada regime do novo sistema. Quem imaginou que o NCM perderia importância vai descobrir o contrário.

Erros de leitura que aparecem com frequência

Um calendário mínimo para o resto de 2026

O que a fase de teste revela sobre o cadastro

Há um ganho pouco explorado em 2026: como CBS e IBS são calculados sobre praticamente todas as operações, o simples ato de destacá-los expõe inconsistências que passavam despercebidas. Três exemplos reais desse tipo de descoberta:

Corrigir isso agora custa uma revisão de cadastro. Corrigir em 2027, com CBS integral, custa imposto.

Como acompanhar a regulamentação sem se perder

A LC 214/2025 delegou muita coisa a regulamento, e o volume de normas até 2033 será grande. Algumas ancoragens ajudam:

Para o dia a dia, o que não muda em 2026 continua sendo a maior fonte de erro: alíquota de ICMS por estado, substituição tributária e DIFAL. A tabela por estado e a calculadora seguem sendo o instrumento de conferência.

Três decisões que já podem ser tomadas

Nem tudo depende de regulamentação futura. Três escolhas estruturais já são possíveis com o que está publicado.

Onde ficará o estoque. Como o IBS é cobrado no destino, a vantagem de manter centro de distribuição em estado com benefício desaparece na transição. Se o contrato de locação ou o investimento em CD tem horizonte de cinco anos ou mais, a conta muda.

Como remunerar a área comercial. Comissão sobre faturamento bruto premia venda em estado de carga alta tanto quanto em estado de carga baixa. Com a mudança de carga, vale migrar para margem de contribuição — algo que leva tempo para negociar internamente.

Qual ERP sustenta a transição. Trocar sistema em 2028, no meio da convivência entre dois regimes, é o pior momento possível. A decisão de manter ou migrar deveria ser tomada agora, com o cronograma do fornecedor em mãos.

Perguntas frequentes

Preciso recolher CBS e IBS em 2026? As alíquotas são simbólicas e compensáveis, com dispensa de recolhimento efetivo para quem cumprir as obrigações acessórias. O destaque, porém, é obrigatório.

O ICMS acaba quando? Em 2033, após redução gradual de 2029 a 2032.

A substituição tributária continua? Sim, enquanto existir ICMS. Ela desaparece com ele.

NCM continua importando? Mais do que hoje: é o critério das listas de alíquota zero, redução de 60% e Imposto Seletivo.

Onde vejo a alíquota atual de ICMS por estado? Na tabela de ICMS 2026, com base legal e data de vigência de cada UF.

Vale contratar consultoria agora ou esperar a regulamentação? As duas coisas têm lugar: o trabalho de cadastro, simulação e contratos independe de regulamentação e já pode começar; as decisões que dependem de regras ainda não publicadas — regimes específicos setoriais, por exemplo — podem esperar, desde que alguém na empresa esteja acompanhando as publicações.

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